Enquanto o surto ainda estava restrito à China, o Secretário de Comércio dos EUA, Wilbur Ross, não disfarçou seu otimismo com a tragédia que ganhava corpo, afirmando que o novo coronavírus “ajudará a acelerar o retorno de empregos nos Estados Unidos”, alimentando o clima de especulação que aponta Washington de estar por trás do aparecimento do coronavírus na China. Contra-atacando as “teorias da conspiração”, o presidente Donald Trump não mediu palavras e acusou a China da paternidade do coronavírus, chamando-o de “vírus da China”.
Pelo lado acadêmico, um grupo de cientistas de nove países emitiu uma declaração em que condenam as especulações de que o novo coronavírus tenha sido modificado pelo homem e portanto, que seja uma arma biológica.
Mas vale lembrar, que quando o assunto é arma biológica o histórico dos EUA fala por si. Durante a Guerra da Coréia, no contexto macro da Guerra Fria, a União Soviética, a China e a Coréia do Norte acusaram os EUA de usar agentes de guerra biológica contra a Coréia do Norte [1]. Nos anos posteriores, os EUA admitiram que tinham a capacidade de produzir essas armas, embora negassem tê-las usado. No entanto, a credibilidade dos EUA foi prejudicada por sua falha em ratificar o Protocolo de Genebra de 1925, pelo reconhecimento público de seu próprio programa ofensivo de guerra biológica e por suspeitas de colaboração com ex-cientistas da Unidade 731, uma unidade secreta de pesquisa e desenvolvimento de guerra biológica e química do Exército Japonês que realizou experimentação humana letal durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa.
O Dr. Friedrich Frischknecht, professor de parasitologia integrativa da Universidade de Heidelberg, Alemanha, descreve a ação do exército japonês na Segunda Guerra, quando contaminou mais de 1.000 poços de água de aldeias chinesas, atentado que matou mais de 30.000 pessoas de cólera e tifo.